O cenário internacional favorável, inclusive impulsionado pela crise internacional de 2008, permitiu um forte crescimento no mercado de crédito no Brasil nos últimos dez anos, mas ainda longe de se igualar ao nível verificado nas maiores economias. Segundo levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), a participação do crédito no Produto Interno Bruto (PIB) passou de 26,1% em junho de 2004, para 55,3% do PIB em junho deste ano.
O volume total de crédito do sistema financeiro (recursos livres e recursos direcionados) atingiu em R$ 2,83 trilhões em junho deste ano, contra R$ 442,38 bilhões em junho de 2004, avanço de 539,7%. Considerando o volume de crédito no segmento de recursos livres (que as instituições financeiras emprestam livremente), a expansão foi de 504,6%, para R$ 1,5 trilhão.
De acordo com o Diretor Executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, nos países desenvolvidos este número atinge 100% do PIB dessas economias, o que demonstra que ainda há um ambiente favorável à expansão de crédito no País. No entanto, ele pondera que no curto prazo o ritmo será bem fraco. “A inflação alta, o juro no atual patamar, o endividamento das famílias e a expectativa de aumento no desemprego irão reduzir o ritmo de crescimento. O segmento irá ficar meio de lado”, pondera.
Já para o médio prazo, Oliveira acredita que a taxa de juro irá retomar o ciclo de baixa, a economia vai voltar a crescer e a inflação desacelerar, o que permitirá um avanço maior do crédito.
O estudo de dez anos do crédito mostra que além da expansão, também houve queda das taxas de juros, redução dos spreads bancários, aumentos dos prazos médios de financiamento e redução da inadimplência. O volume total de crédito de recursos livres passou de R$ 252 bilhões em junho de 2004 para R$ 1,53 trilhão em junho deste ano. O crédito a pessoa física (PF) foi o que mais cresceu no período (+658,5%), passando de R$ 99,98 bilhões, para R$ 758,4 bilhões. No segmento pessoa jurídica (PJ), a expansão foi de 403,4%, para R$ 765 bilhões.
Na mesma base de comparação, a taxa de juro geral para PJ e PF apresentou retração de 12 pontos porcentuais, para 32% ao ano. Enquanto o spread recuou 6,1 ponto porcentual, de 27% para 20,9% ao ano. “Mesmo assim, as taxas ainda se encontram em patamares elevados o que abre margem para que as mesmas continuem sendo reduzidas, ou pela queda da taxa básica de juros, ou por uma maior competição no sistema financeiro ou por outras eventuais medidas que poderão ser tomadas pelo governo, como redução de impostos e compulsórios”, afirma o executivo da Anefac, ressaltando, ainda que a queda dos índices de inadimplência também irão contribuir para o recuo dos juros e dos spreads no País.
Oliveira explica que ao contrário dos outros itens, o prazo médio é o único que se assemelha ao praticado no exterior. Ele avalia que a extensão dos prazos contribuiu para alavancar os negócios. O prazo médio geral dos financiamentos passou de 7,6 meses para 36 meses. Com destaque para o PF, que passou de 9,3 meses para 47,7 meses. “Isso foi um dos grandes avanços do setor e, só foi possível, por conta da estabilidade econômica”, afirma.A inadimplência geral recuou de 7,2% para 4,8%.
Fonte: Brasil Econômico