No dia 16 de agosto, a Escola de Formação Gerencial (EFG) completa duas décadas e renova proposta pedagógica pautada na gestão e inovação
Ao longo de 20 anos, dos 8.598 alunos que já se formaram na Escola de Formação Gerencial (EFG), 71,9% estão inseridos no mercado de trabalho e 53,8% exercem cargos de liderança nas empresas em que trabalham. De acordo com um levantamento feito pela instituição, dos jovens que estão atuando no mercado, 34,5% trabalham em negócios próprios, 10,5% estão em empresas familiares, 42,6% em empresas privadas e 10,5% trabalham em empresas públicas.
Há vinte anos, o desejo de oferecer uma formação baseada no empreendedorismo e na cidadania fez surgir um projeto de educação inovador: a Escola Técnica de Formação Gerencial (ETFG) do Sebrae Minas. Em 2014, a instituição reafirma o compromisso com um ensino de qualidade investindo no aprimoramento de seu modelo pedagógico e na estrutura física e tecnológica das unidades.
Uma das novidades deste ano é o reposicionamento da marca, com a nova denominação de Escola de Formação Gerencial (EFG). Uma alteração voltada para novas oportunidades que possam surgir nos próximos anos, não se limitando, portanto, ao ensino técnico. “Temos a intenção de expandir essa formação para outros níveis. A retirada do termo técnica é o primeiro passo para desenvolvermos ainda mais o modelo de gestão”, justifica o diretor-superintendente do Sebrae Minas, Afonso Maria Rocha.
Baseada no modelo austríaco de educação empreendedora, a escola, que começou com uma unidade em Belo Horizonte, está presente hoje em mais outras 14 cidades mineiras e conta agora com uma nova unidade em São Luiz, Maranhão, primeiro estado fora de Minas Gerais a receber o modelo inovador. “Por contribuir significativamente para a educação e a formação de jovens gestores, a EFG é um dos projetos mais bem-sucedido do Sebrae. O primeiro grande marco foi o próprio ineditismo da iniciativa. A instituição movimentou o mercado de tal forma, que hoje o tema gestão de micro e pequenas empresas e empreendedorismo é pauta de destaque nas principais faculdades e universidades do estado”, enfatiza.
E o resultado não foi só em termos acadêmicos. Afonso Rocha credita à formação diferenciada de novos gestores o fato de a mortalidade empresarial mineira ser hoje a menor do país. Segundo pesquisa do Sebrae Nacional, realizada em 2013, para cada 100 empresas abertas, 24 são fechadas em dois anos na maioria dos estados. Em Minas Gerais, esse número cai para 18. “Ainda há muito a ser feito, mas se considerarmos que 99% das empresas brasileiras são classificadas como micro e pequenos negócios e que elas correspondem por 25% do Produto Interno Bruto do Estado, conseguiremos visualizar melhor a contribuição que a EFG tem dado à economia e ao desenvolvimento sustentável do país”, acrescenta.
Apesar dos resultados cada vez mais positivos, ainda existem desafios, como a democratização da instituição e a preservação do seu modelo educacional, principais preocupações do corpo diretor.
Metodologia diferenciada
O foco no planejamento contemplando diversas situações é justamente o diferencial da escola. Para aprimorar cada vez mais esse direcionamento, este ano a EFG introduziu novas disciplinas, como Educação Financeira, para os alunos do primeiro ano, em parceria com o Banco Central; Matemática Financeira, no segundo ano, e Redação para os estudantes do terceiro ano.
O projeto pedagógico é norteado pelos pilares da educação Conhecer, Fazer, Viver e Ser, que preparam os alunos para lidar com o imprevisto e as mudanças de cenário atuais. “Estamos formando pessoas aptas a atuarem e transformarem o mundo a partir do estímulo à autonomia, ao senso crítico, à sensibilidade e à sensatez. É também nossa prioridade valorizar a ética, a diversidade e a responsabilidade social como forma de formar cidadãos com atitude empreendedora”, pontua o diretor-superintendente.
A escola conta, atualmente, com um corpo docente altamente qualificado, sendo 42 profissionais apenas na unidade de Belo Horizonte – 84% deles possuem mestrado e pós/MBA. Durante os dois primeiros anos de aprendizado, os alunos cursam 40 disciplinas em tempo integral, sendo 3.967 horas/aula, divididas em 3.067 horas para o Ensino Médio e 900 para o Ensino Técnico – 24% a mais do que exige o Ministério da Educação. No terceiro ano, os jovens ainda frequentam 17 disciplinas em meio período e participam de um estágio curricular em uma das empresas parceiras da instituição, o que permite a consolidação da visão empreendedora e das ferramentas de gestão aprendidas em salas de aula. Além disso, integram projetos interdisciplinares que oferecem vivência prática de gestão e internacionalização como Vitrine, Empresa Simulada, Tutoria e Global Challenge.
Orientação acadêmica
O advogado e empresário Felipe Machado foi um dos alunos que vivenciou o despertar para o empreendedorismo. “A escola fomenta uma ambição profissional saudável, proporciona a possibilidade de planejar as ações e de perceber a necessidade de um agir estratégico, além de nos orientar a lidar com imprevistos e situações inesperadas dentro do próprio planejamento”, explica.
Somado a esses aspectos, ele ressalta o interesse em buscar desafios e uma atitude empreendedora que o projeto pedagógico da EFG estimula. “Sempre tive uma predileção pela área jurídica e foi durante o curso que me deparei com diferentes aspectos relacionados à vida profissional e como eu poderia empreender e crescer na minha carreira, traçando caminhos diferenciados e me aprofundando nos conhecimentos gerenciais e humanísticos.”
E essa dedicação deu certo. Felipe Machado concluiu o curso técnico em 2003 e a graduação em 2008. Atualmente, possui um escritório especializado em Direito Penal, tem nove livros publicados e é professor nos cursos de Direito de duas universidades conceituadas de Minas Gerais e num curso preparatório para concurso público.
Essa orientação ainda é vivenciada pelo profissional, que deseja se estabilizar na advocacia e na docência, solidificando o aprendizado e as atividades nos diversos âmbitos da carreira. “Hoje, tenho clientes de diferentes portes e setores da economia e quero ampliar a minha área de atuação. Além disso, transmitir conhecimento e contribuir na formação de alguém é algo que me dá muito prazer”, diz o advogado.
Ensino próximo
Com o conhecimento adquirido na EFG, o empresário Guilherme Falabella Daher Silva colheu importantes frutos em sua carreira e comemora a decisão de ter cursado a escola aos 15 anos.
Terminado o curso em 2004, o empresário ingressou no curso de Administração de Empresas. Desde então, somou muitas experiências no mercado, trabalhando para grandes empresas e liderando equipes. Atualmente, é um dos sócios-proprietários de um grupo de empreendimentos, com 120 empregados, que divide com o pai. Guilherme é responsável pela operação e funcionamento dos negócios, que abrangem dois restaurantes, uma importadora de equipamento de logística e três lojas de roupa.
A junção do ensino técnico com o superior, a elaboração de um Plano de Negócios por meio do projeto Vitrine e a abertura que a instituição oferece aos alunos são os pontos mais marcantes para o empresário. Segundo ele, os professores e o corpo diretor eram sempre muito presentes na escola, orientando os estudantes em diversas situações, inclusive as pessoais.
O resultado foi tão positivo que os dois irmãos de Guilherme Silva também estudaram na EFG. “Percebo muita diferença no mercado entre os profissionais que tiveram uma formação similar à minha e os que não vivenciaram a mesma oportunidade, sobretudo em relação ao empreendedorismo e à gestão voltada para a inovação e o cliente”, acredita. Com o conhecimento adquirido, ele projeta expandir sua experiência para o campo acadêmico ou de consultoria. “Talvez atue em uma segunda linha de trabalho. Temos que estar sempre abertos às oportunidades que surgem.”