Comodidade, atendimento personalizado e estabilidade financeira são fatores que motivaram a abertura de novos negócios no setor
Aumentou em 25% o número de minimercados abertos em Minas Gerais entre os anos de 2007 e 2012. São mais de 39 mil estabelecimentos, que tornam o estado o segundo maior em concentração deste tipo de comércio no país. De acordo com o Estudo Setorial de Minimercados, organizado pelo Sebrae, a mudança de hábitos dos consumidores em busca de comodidade, proximidade e praticidade são alguns dos fatores que podem ter influenciado diretamente a ampliação deste segmento.
O mercado de vizinhança ou loja de vizinhança, como é chamado o pequeno varejo alimentar, abrange minimercados, mercadinhos ou armazéns que possuem até quatro caixas de atendimento, chamados de checkout, ou que faturam até R$ 3,6 milhões por ano.
Segundo o levantamento do Sebrae, no Brasil são mais de 373 mil estabelecimentos neste segmento, que movimentaram em 2012 (Fonte: Associação Brasileira de Supermercados – ABRAS) cerca de R$ 34 milhões. De 2007 a 2012 foram abertos mais de 132 mil minimercados no país. Em Minas, no mesmo período, esse número chegou a quase 8 mil novos negócios, o que torna o estado um dos que tem maior concorrência no setor.
Um dos motivos que influenciaram o crescimento dos mercados de vizinhança foi o fato de terem uma localização privilegiada. A pesquisa feita pela GfK Brasil mostrou que a proximidade é o principal motivador de compra para 92% dos consumidores que utilizam os mercadinhos. Fazer as compras ao lado de casa significa um deslocamento menor e mais rápido.
Outro diferencial dos mercadinhos é o atendimento personalizado. Como os proprietários geralmente moram na região, têm um relacionamento próximo com os consumidores, os conhecem pelo nome, podem atendê-los pessoalmente e oferecem outros serviços, como a entrega a domicílio e facilidades de pagamento. “O atendimento é um diferencial competitivo dos pequenos varejos e pode contribuir para a fidelização do cliente”, enfatiza a analista da Unidade de Inteligência Empresarial do Sebrae Minas, Carolina Xavier.
Segundo a analista, os brasileiros também estão indo três vezes mais aos pontos de vendas do que iam antes do Plano Real, deixando de fazer grandes compras. Isso pode ter sido influenciado pelas mudanças na economia brasileira, como, por exemplo, a redução da inflação e o aumento da renda das classes C e D. “Hoje, as pessoas não precisam mais estocar alimentos em casa e, muitas vezes , nem têm espaço para isso. As famílias também estão menores e demoram mais para consumir os alimentos. Comprar muito de uma só vez pode significar prejuízo”, diz Carolina Xavier .
Além disso, muitos mercadinhos têm conseguido nivelar seus preços em relação aos grandes supermercados. “Os mercadinhos conseguem ter poder de barganha e negociar com os fornecedores preços mais competitivos. Também não ficam atrás no mix de produtos que atende o perfil dos consumidores da região”, completa a analista.