
Foi uma reunião tensa, na manhã desta segunda-feira 30/3. Representantes do comércio apresentaram a preocupação dos lojistas, que temem uma recessão pós-isolamento.
Por outro lado, médicos apresentaram os cuidados que devem ser tomados para evitar o aumento no número de casos de coronavírus em Varginha.
Prefeitura, vereadores, Associação Médica, diretores de hospitais, enfermeiros, sindicatos e Guarda Civil Municipal participaram da reunião.
O médico infectologista Luiz Carlos Coelho disse ao BlogdoMadeira que todas as medidas estão sendo tomadas, inclusive para aumento de leitos. “Acabar com o isolamento social neste instante seria um suicídio”.
O presidente da Associação Médica de Varginha, Adrian Nogueira Bueno disse que “vivemos um momento de pandemia e, ao mesmo tempo, um momento crucial para o comércio. Sabemos que, se abrir o comércio, isso poderá piorar a situação. Não somos contra a reabertura do comércio. Espere passar esse pico, pelo menos essa semana, quando temos o pico sazonal. Aí vamos reunir novamente para rever a retomada gradual das atividades econômicas”.
“Apresentamos ao prefeito em exercício toda a nossa preocupação com demissões, queda de receita. Ao mesmo tempo dissemos para ele ponderar a opinião dos médicos. Até porque é a área médica que detém informações técnicas que podem proteger a população”, disse o presidente da Associação Comercial, Anderson Martins.
A presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Comércio, Cibele Oliveira disse que “os empregados têm medo de sair às ruas e levar para dentro de casa e contaminar os seus familiares. Nós apoiamos o prefeito desde o início nessa paralisação”.
O coordenador de políticas públicas de Varginha, Vinício Rocha disse que “o cenário exige responsabilidade e bom senso de todos nós. Somos pela continuidade de manter o fechamento [do comércio], com possibilidade de flexibilização caso haja uma melhoria epidemiológica. Não agir no calor das emoções”.
Faltam leitos. Atualmente o Município possui 24 leitos no Hospital Regional do Sul de Minas; 10 no Hospital Bom Pastor. E seis na UPA. Isso dá 40. O mínimo para atender a demanda esperada é 68 leitos.
O prefeito em exercício Vérdi Lúcio Melo disse que, depois de ouvir todos os representantes da Saúde de Varginha, “revogar o decreto seria uma irresponsabilidade sem precedentes. As informações foram claras, dizendo que esta semana é o pico do contágio. Peço aos comerciantes que entendem que não faço isso por política, também sou empresário, tenho funcionários, estou sentindo na carne. Sei o sentimento de cada empresário. Não estou tomando essa decisão sozinho, primeiro ouvimos as autoridades sanitárias para não colocar a vida em risco. O que importa agora é a vida do seu pai, do seu avô, da sua avó, para evitar que uma catástrofe ocorra”.
Vérdi disse ainda que, nesses 31 dias em que substitui o prefeito Antônio Silva (de férias), está ouvindo todos antes de tomar decisões. “Caso o cenário melhore, podemos iniciar uma reabertura gradual a partir da segunda-feira 7 de abril, logicamente observando a situação em Varginha, e também as ações do presidente, do governador. Estamos investindo no Hospital Bom Pastor, comprando equipamentos, criando unidades temporárias de atendimento em contêineres, temos o apoio da Associação Médica que é muito importante, são quase 40 médicos orientando a população por celular. Juntos vamos conseguir sair desse problema com o mínimo de prejuízo”.
Fonte: Blog do Madeira