Entidades afirmam que solicitações encaminhadas em nome dos empresários seguem sem resposta formal; novo ofício foi acompanhado de abaixo-assinado com 277 assinaturas
O comércio brasileiro atravessa um período de grandes transformações e enfrenta desafios que vão muito além das portas das lojas. O crescimento das compras pela internet, o endividamento das famílias, os juros elevados e novas formas de utilização da renda, como as apostas on-line, têm aumentado a disputa pela renda disponível do consumidor e pressionado especialmente o varejo físico.
Dados recentes da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram que o endividamento das famílias brasileiras permanece em patamares elevados. Ao mesmo tempo, o comércio eletrônico continua ampliando sua participação nas vendas do varejo brasileiro.
Em Varginha, na avaliação da Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e Serviços de Varginha (ACIV) e da CDL Varginha, esses desafios nacionais se somam a questões locais que precisam ser enfrentadas para melhorar o acesso dos consumidores e fortalecer o comércio da região central.
As duas entidades vêm, em conjunto com empresários do Centro, encaminhando à Prefeitura uma série de reivindicações relacionadas principalmente à ampliação das vagas de estacionamento, à demarcação das vagas existentes na Área Azul e à implantação de espaços de descanso e convivência para os consumidores.
No entanto, apesar dos ofícios, reuniões e cobranças realizadas nos últimos meses, parte dessas solicitações continua sem uma resposta formal da Administração Municipal.
Retorno das vagas é uma das principais reivindicações
Uma das maiores preocupações apresentadas pelos comerciantes é a dificuldade de estacionamento na região central.
A revitalização realizada no Centro de Varginha promoveu importantes melhorias para os pedestres, como ampliação e modernização das calçadas. No entanto, a intervenção também reduziu significativamente o número de vagas disponíveis para veículos em algumas das principais ruas comerciais.
Com o passar do tempo, empresários passaram a relatar que a dificuldade para estacionar próximo aos estabelecimentos afastou parte dos consumidores, principalmente aqueles que precisam utilizar o automóvel para fazer compras ou acessar determinados serviços.
No início deste ano, a Prefeitura implantou um projeto-piloto em um trecho da Rua Deputado Ribeiro de Rezende, com o retorno de vagas de estacionamento em um dos lados da via.
Segundo comerciantes da região, o resultado foi imediato e positivo.
O empresário Mariano Afif, que mantém estabelecimento no trecho contemplado, afirma que a volta das vagas mudou significativamente a dinâmica da rua.
“Sem dúvida nenhuma, as vagas deram vida novamente para a rua. Hoje há uma rotatividade muito maior de veículos, ficou mais fácil para o consumidor parar e isso trouxe mais movimento para os estabelecimentos. Até imóveis comerciais que estavam fechados passaram a ter uma procura maior”, afirma.
Mariano lembra ainda que, durante a execução da intervenção, houve a sinalização de que o projeto teria continuidade.
“Quando fizeram essa obra, no período do Carnaval, o prefeito disse que aproveitaria outros feriados para fazer o mesmo trabalho em outras ruas do Centro. Foi uma expectativa criada entre os comerciantes. Os meses passaram, chegamos a setembro e nenhuma outra rua recebeu a intervenção. O que os empresários querem saber agora é se aquilo que foi anunciado realmente será feito e, se for, quando”, completa.
Os efeitos do projeto-piloto também foram percebidos na ocupação dos imóveis comerciais do trecho, que passou a registrar maior procura após a retomada das vagas de estacionamento.
“Como proprietário de três pontos comerciais localizados na Rua Deputado Ribeiro de Resende, no trecho contemplado pelo projeto-piloto, posso afirmar que o retorno das vagas de estacionamento foi de suma importância. Esses imóveis estavam desocupados havia cerca de dois a três anos e, logo após a implantação das vagas, as lojas foram negociadas e hoje já estão em funcionamento”, afirma o empresário Michel Mansur.
Segundo ele, a percepção positiva também é compartilhada pelos comerciantes da região.
“Tenho contato constante com os comerciantes daquele trecho e a grande maioria aprovou as obras. Muitos defendem, inclusive, que a Prefeitura estenda a criação de vagas para outras vias importantes do Centro, como a Rua Delfim Moreira, a Presidente Antônio Carlos e também o quarteirão do Clube de Varginha”, destaca.
Michel afirma que a própria movimentação da via demonstra o impacto da mudança.
“Basta observar o rodízio constante de carros e motos nas vagas devolvidas à Rua Deputado Ribeiro de Resende para perceber o sucesso da medida. A criação dessas vagas trouxe movimento para aquela região do Centro e mostrou, na prática, a importância desse tipo de intervenção”, completa.
Para ACIV e CDL Varginha, o sucesso observado no trecho reforça a necessidade de uma definição sobre a continuidade do projeto.
As entidades compreendem que intervenções dessa natureza precisam de planejamento, especialmente porque envolvem alterações no trânsito e eventuais interdições. O que consideram difícil de justificar, entretanto, é que solicitações encaminhadas oficialmente pelas entidades representativas do setor permaneçam sem uma resposta objetiva.
Empresários cobram cronograma
A reivindicação de ACIV e CDL não é para que todas as ruas sejam modificadas de maneira imediata. As entidades pedem que a Prefeitura informe se pretende ou não continuar o projeto e, em caso positivo, apresente ao menos uma previsão ou cronograma para as próximas intervenções.
Em reunião realizada anteriormente com representantes do setor empresarial, o prefeito Leonardo Ciacci chegou a manifestar a intenção de dar continuidade ao projeto, destacando a necessidade de planejamento para que as obras não provoquem impactos excessivos no trânsito e no próprio comércio.
Passado esse período, entretanto, empresários continuam procurando ACIV e CDL em busca de informações que as entidades ainda não conseguem fornecer porque também aguardam um posicionamento oficial.
A insatisfação com a falta de avanços também mobilizou comerciantes da região central, que passaram a se organizar para apresentar de forma conjunta as principais demandas do setor e cobrar providências do poder público.
“Como comerciante e representante do grupo Comerciantes Unidos, criado para defender as demandas da região central, afirmo que o Centro não pode continuar esperando por melhorias básicas. Precisamos, com urgência, de mais lixeiras, bancos, banheiros públicos, baias e vagas de estacionamento. Enquanto os shoppings oferecem todas essas comodidades, o comércio de rua segue perdendo competitividade e movimento pela falta de estrutura”, afirma o comerciante Fabio Carvalho.
Segundo ele, a experiência da Rua Deputado Ribeiro de Rezende demonstra que intervenções simples podem trazer resultados concretos.
“A Rua Deputado Ribeiro de Rezende é a prova de que investir em estacionamento pode revitalizar uma região. Essas reivindicações vêm sendo apresentadas há bastante tempo, mas, até agora, a única solicitação atendida foi a instalação de uma lixeira no final do Calçadão, feita pelo secretário Cláudio Abreu, a quem agradecemos”, destaca.
Fabio reforça que as reivindicações não representam pedidos de privilégios, mas de condições adequadas para quem trabalha e consome no Centro.
“Não estamos pedindo privilégios, mas condições dignas para comerciantes e consumidores. O Centro precisa de ações concretas e não pode mais ficar apenas aguardando respostas e promessas”, completa.
Para as entidades, a ausência de uma definição começa a gerar desgaste desnecessário em uma relação que historicamente sempre foi pautada pelo diálogo.
Área Azul precisa de vagas demarcadas
Outra reivindicação diz respeito ao funcionamento da Área Azul.
A implantação do estacionamento rotativo ajudou a aumentar a rotatividade das poucas vagas disponíveis no Centro e é considerada positiva pelas entidades. Entretanto, empresários apontam que a falta de demarcação física das vagas em diversos pontos reduz a eficiência do próprio sistema.
Sem a delimitação do espaço destinado a cada automóvel, não é raro que um único veículo seja estacionado ocupando uma área que poderia comportar dois carros.
Para ACIV e CDL, a demarcação é uma medida relativamente simples, mas capaz de melhorar significativamente o aproveitamento das vagas já existentes. Essa solicitação também foi formalmente encaminhada ao Município e ainda aguarda uma resposta conclusiva.
Além da demarcação e da ampliação das vagas, comerciantes também defendem medidas para garantir que os espaços disponíveis cumpram efetivamente sua função de atender quem vem ao Centro fazer compras ou utilizar serviços.
“Uma das necessidades que percebemos é a ampliação das vagas de estacionamento na região central, especialmente na parte superior da Rua Deputado Ribeiro de Rezende, no trecho entre a loja de maquiagem e o Clube de Varginha. Criar vagas nesse ponto facilitaria bastante o acesso dos clientes aos estabelecimentos e ajudaria a fortalecer o comércio daquela região”, afirma o comerciante Luis Paulo Teodoro.
Para ele, porém, a criação de novas vagas precisa vir acompanhada de ações que garantam a rotatividade dos espaços disponíveis.
“Também precisamos fazer a nossa parte como comerciantes. Seria importante uma campanha de conscientização para que empresários e colaboradores evitem deixar seus próprios veículos estacionados durante todo o expediente nas vagas destinadas ao público. Quanto maior a rotatividade, maior a possibilidade de o cliente conseguir parar próximo ao estabelecimento onde deseja comprar”, destaca.
Luis Paulo reforça que melhorar o acesso ao Centro depende tanto de novas intervenções quanto do uso mais eficiente das vagas já disponíveis.
“Não adianta apenas criar novas vagas se não houver rotatividade. Precisamos pensar nessas duas frentes ao mesmo tempo: ampliar onde for possível e garantir que os espaços existentes cumpram sua função de atender quem vem ao Centro consumir e utilizar os serviços da região”, completa.
Consumidor também precisa encontrar conforto no Centro
Outra demanda conjunta da ACIV, CDL e empresários é a implantação de áreas de descanso e convivência na região central.
Para os empresários, as melhorias não devem ser vistas apenas como intervenções urbanas, mas como parte de uma estratégia para fortalecer o comércio físico e melhorar a experiência dos consumidores.
“Com as mudanças nos hábitos de consumo, o crescimento do comércio digital e das compras pela internet, o comércio físico vem enfrentando grandes desafios. Por isso, precisamos buscar melhorias que tornem a experiência de quem visita e compra no comércio local mais agradável e atrativa”, afirma o empresário Gilmar Baroni.
Segundo ele, pequenas intervenções podem produzir resultados importantes.
“A criação de vagas de estacionamento em ruas importantes que ainda não possuem essa estrutura, como a Presidente Antônio Carlos, a melhor demarcação das vagas já existentes e a instalação de bancos, lixeiras e floreiras são medidas relativamente simples, mas que podem contribuir muito para deixar o Centro mais organizado, bonito, confortável e convidativo”, destaca.
Gilmar reforça que investir no espaço urbano significa também fortalecer o comércio local.
“Valorizar o espaço físico é valorizar os comerciantes, os consumidores e a própria cidade. Precisamos criar um ambiente em que as pessoas tenham prazer de caminhar, permanecer e consumir no comércio local. São ações que podem parecer pequenas, mas que teriam grande importância não apenas para os comerciantes, mas principalmente para a população”, completa.
Hoje, quem percorre as ruas comerciais encontra poucos locais onde possa simplesmente se sentar, descansar ou aguardar enquanto outra pessoa realiza uma compra ou utiliza determinado serviço. A proposta é que sejam instalados bancos, floreiras e pequenos pontos de convivência em locais estrategicamente escolhidos.
Comerciantes defendem um Centro mais vivo e atrativo
Entre os comerciantes que defendem uma revitalização mais ampla da região central, há também quem acompanhe de perto as transformações do Centro há décadas e veja nas melhorias urbanas uma oportunidade de fortalecer sua vocação comercial e de convivência.
“Minha família tem uma história de mais de 26 anos com o comércio do Centro de Varginha. São décadas trabalhando, crescendo e fazendo parte da vida de milhares de pessoas que passam por aqui todos os dias. Por isso, quando falamos sobre o Centro, falamos com carinho e, principalmente, com vontade de vê-lo cada vez mais vivo, bonito e atrativo”, afirma a comerciante Adriana Campos Lima Lello.
Segundo ela, pequenas intervenções podem contribuir significativamente para tornar a região mais acolhedora.
“Acreditamos que melhorias como mais jardineiras e áreas verdes, bancos e mesinhas para que as pessoas possam sentar e aproveitar o espaço, mais banheiros públicos, a retomada de vagas de estacionamento que existiam antes da pandemia e soluções que facilitem o acesso ao comércio podem fazer uma grande diferença. Também seria importante pensar em mais passagens adequadas para a travessia de pedestres, tornando o Centro um lugar onde as pessoas tenham prazer em caminhar e passear”, destaca.
Adriana também defende que o Calçadão seja melhor aproveitado como espaço de convivência e atração para moradores e visitantes.
“Acreditamos que o Calçadão pode se transformar cada vez mais em um espaço de convivência, com ambientes instagramáveis, ações culturais e atrações que façam as famílias terem vontade de passar mais tempo no Centro. Não queremos apenas mais movimento. Queremos um Centro onde as pessoas tenham prazer em estar e onde também se sintam seguras”, afirma.
Para a comerciante, essa transformação precisa ser construída de forma conjunta entre empresários e poder público.
“A maioria dos estabelecimentos comerciais está no Centro, acredita nessa região e quer participar dessa transformação. Nosso desejo é unir comerciantes e poder público para construir, juntos, um Centro mais acolhedor, seguro, bonito e vivo para toda a população de Varginha”, completa.
Para alguns empresários, revitalizar a região também passa por recuperar o papel que o Centro já teve como importante espaço de compras, circulação e convivência das famílias de Varginha.
“Como comerciante da região central, gostaria de voltar a ver o Centro de Varginha movimentado como víamos alguns anos atrás. Lembro da época em que a Rua Presidente Antônio Carlos tinha o trânsito interrompido em datas comemorativas e horários especiais para que as pessoas pudessem circular com mais liberdade. Naquele período, antes mesmo da chegada do shopping à cidade, muitas famílias vinham ao Centro para passear, encontrar pessoas e comprar presentes”, afirma o empresário Gustavo Cezar de Almeida Barreto.
Para ele, é necessário criar novos estímulos para que esse público volte a frequentar a região.
“Precisamos de ações que atraiam novamente as pessoas para o Centro e que ofereçam segurança e estrutura para que as famílias se sintam interessadas em permanecer aqui e comprar no comércio local. Acredito que algumas medidas podem contribuir muito para isso, como a melhoria dos passeios e calçadas, a ampliação da quantidade de vagas de estacionamento e a instalação de bancos, flores e outros elementos que tornem o Centro mais agradável e bonito, como já vemos em algumas cidades da nossa região”, destaca.
Gustavo reforça que a revitalização é importante não apenas para os comerciantes, mas para a própria identidade da cidade.
“É muito importante que o Centro volte a ocupar o espaço que sempre teve na vida de Varginha. Precisamos resgatar essa vontade das pessoas de vir ao Centro, caminhar, passear, permanecer e consumir no comércio local”, completa.
A avaliação de que o Centro precisa voltar a ser mais atrativo e funcional também é compartilhada pela empresária Milene Patrícia Rodrigues.
“O Centro de Varginha precisa recuperar o movimento que sempre teve. Os sábados e os horários especiais já foram períodos de grande circulação de pessoas, e para retomarmos esse cenário é fundamental criar ações que atraiam novamente os clientes, oferecendo estrutura, facilidade de acesso e segurança”, afirma.
Segundo ela, a experiência da Rua Deputado Ribeiro de Rezende demonstra que mudanças pontuais podem produzir resultados positivos.
“O que foi feito na Rua Deputado Ribeiro de Rezende é um exemplo. A criação de novas vagas trouxe uma nova dinâmica para aquele quarteirão e mostrou, na prática, que a medida funciona. Por isso, acreditamos que o projeto poderia ser ampliado para o restante da própria rua e também para outros pontos do Centro onde exista viabilidade para a criação de novas vagas”, destaca.
Milene avalia ainda que o projeto de revitalização realizado anteriormente teve importância naquele momento, mas que precisa ser revisto e adaptado à realidade atual do comércio e dos consumidores.
“A revitalização cumpriu seu papel na época, mas hoje aquele modelo já não produz o mesmo efeito positivo. Em alguns pontos, a falta de estrutura, a dificuldade de acesso e a sensação de insegurança acabam trazendo transtornos e afastando o consumidor do comércio local, fazendo com que ele opte pelo shopping ou pelas compras on-line. Vir ao Centro acabou se tornando mais trabalhoso para muitas pessoas”, afirma.
“Se conseguirmos promover mudanças que voltem a atrair o consumidor para o Centro, oferecendo mais comodidade, segurança e facilidade de acesso, acredito que, aos poucos, Varginha poderá recuperar parte daquele movimento que fazia da região central um dos principais pontos de encontro e compras da cidade”, completa.
Para as entidades, melhorar o Centro significa encontrar equilíbrio entre acesso, mobilidade, conforto para os pedestres e condições para que o consumidor permaneça mais tempo na região.
O presidente da CDL Varginha, Bruno Freitas, destaca que essas medidas precisam ser encaradas como parte de uma estratégia de fortalecimento do comércio local.
“Estamos falando de ações que melhoram diretamente a experiência de quem vem ao Centro. O consumidor precisa conseguir chegar, estacionar, circular e encontrar um espaço minimamente confortável. O comércio físico já enfrenta uma concorrência enorme com as vendas on-line e outros fatores. Cabe a nós, entidades e poder público, trabalhar para tornar o ambiente comercial da cidade cada vez mais acessível e atrativo”, afirma.
Segundo Bruno, a CDL vem acompanhando a ACIV e os empresários nessas solicitações e considera fundamental que a Prefeitura dê uma resposta concreta.
“ACIV e CDL estão levando ao poder público demandas que não foram criadas pelas entidades. Elas chegam por meio dos comerciantes. Por isso, quando protocolamos uma solicitação, esperamos ao menos uma resposta que possamos levar de volta a quem representamos”, completa.
Entidades preservam diálogo com Secretaria de Turismo e Comércio
ACIV e CDL ressaltam que a cobrança não significa rompimento da relação institucional com a Prefeitura.
As entidades destacam especialmente o bom diálogo mantido com o secretário municipal de Turismo e Comércio, Marcus Madeira, que conhece de perto a realidade do comércio e tem mantido contato frequente com empresários e representantes das entidades.
Marcus Madeira já recebeu representantes do setor na Secretaria e também participou de encontros na sede da ACIV para discutir, entre outros assuntos, ações destinadas ao comércio e ao setor de alimentação.
Em outra frente relacionada à instalação de novas lixeiras no Centro, houve retorno por parte da Secretaria de Turismo e Comércio, que pediu às entidades e empresários a indicação dos locais considerados mais adequados para os equipamentos.
Esse levantamento ainda não foi concluído porque existe a expectativa de mudanças em algumas ruas caso o projeto de retorno das vagas tenha continuidade. ACIV e CDL entendem que não seria adequado definir pontos para colocação das lixeiras e, posteriormente, ter de retirar ou reposicionar os equipamentos em razão de novas intervenções.
Esse episódio, segundo as entidades, demonstra que quando existe diálogo e retorno, é possível avançar conjuntamente nas soluções.
A cobrança atual, portanto, está concentrada nas demandas que dependem de uma decisão mais ampla da Administração Municipal e que continuam sem uma definição.
Abaixo-assinado reúne 277 assinaturas
Diante da ausência de uma resposta formal e da crescente cobrança dos empresários, a ACIV e a CDL Varginha encaminharam novamente as demandas à Prefeitura.
Na tarde de 11 de setembro, foi protocolado um novo ofício reforçando as solicitações, acompanhado de um abaixo-assinado com 277 assinaturas de empresários, comerciantes, trabalhadores, moradores e consumidores da região central.
O documento reforça o apoio às melhorias propostas e demonstra que as reivindicações ultrapassam o interesse de uma ou duas entidades. Para ACIV e CDL, trata-se de uma manifestação de pessoas que trabalham, investem, compram e convivem diariamente na região central.
O presidente da ACIV, André Yuki, afirma que a situação chegou a um ponto em que as entidades precisam de uma resposta clara para apresentar aos empresários.
“O comércio está cobrando a ACIV e a CDL porque somos as entidades que representam esse setor diante do poder público. Nós encaminhamos as demandas, participamos de reuniões, protocolamos ofícios e buscamos o diálogo. Chega um momento em que também precisamos de uma resposta para dar a quem nos procura”, afirma.
Segundo André, uma resposta negativa também é uma resposta.
“Não estamos exigindo que a Prefeitura aceite todas as solicitações. Se uma determinada medida não puder ser realizada por uma questão técnica, financeira ou de planejamento, que isso seja informado. O que não é razoável é não termos uma definição. Os empresários só querem saber o que pode ser feito, o que não pode e qual é o planejamento do Município para essas demandas”, ressalta.
O presidente reforça ainda que ACIV e Prefeitura sempre mantiveram uma relação institucional de parceria.
“A ACIV sempre esteve à disposição do poder público e sempre caminhou junto em iniciativas importantes para o desenvolvimento de Varginha. Queremos continuar dessa maneira. Mas parceria também pressupõe diálogo e resposta. Quando 277 pessoas assinam um documento pedindo determinadas melhorias, entendemos que essa manifestação merece ser considerada e respondida”, completa.
A presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Varginha (Sindvar), Elisete Ribeiro, também destaca que o momento exige atenção especial ao comércio físico.
“Não podemos ignorar que o varejo mudou muito nos últimos anos. O empresário está enfrentando comércio eletrônico, aumento de custos, consumidores mais cautelosos e diversas outras dificuldades. Tudo aquilo que estiver ao alcance do Município para facilitar o acesso, melhorar a infraestrutura e tornar o Centro mais acolhedor precisa ser analisado com atenção”, afirma.
Para Elisete, a mobilização dos comerciantes demonstra uma preocupação legítima com o futuro da região.
“São empresários que investem em Varginha, geram empregos e pagam impostos. Eles não estão pedindo privilégios. Estão pedindo condições para continuar competindo, mantendo suas empresas abertas e atendendo a população. É importante que essas pessoas sintam que estão sendo ouvidas”, completa.
ACIV e CDL Varginha afirmam que continuarão buscando o diálogo e aguardam agora um posicionamento formal da Prefeitura sobre as reivindicações.
As entidades defendem que a discussão seja conduzida de maneira técnica, responsável e construtiva, mas reforçam que a falta de resposta não pode se tornar uma prática diante de demandas encaminhadas oficialmente por entidades representativas e respaldadas por centenas de comerciantes, trabalhadores, moradores e consumidores.
Para ACIV e CDL, mais do que concordar com todas as propostas apresentadas, o Município precisa estabelecer um canal efetivo de retorno, dizendo com clareza o que será feito, o que não será possível realizar e em qual prazo cada questão poderá ser tratada.